sábado, 12 de março de 2011

"Conquistar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres na agricultura não só é justo; também é crucial para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar”.

Mulheres em Ação. Quintais Agroecológicos, Nordeste Paraense, Arquivo MMNEPA

 Relatório da FAO destaca desigualdade de gênero na produção agrícola

De acordo com o relatório, as mulheres, apesar de representar aproximadamente 43% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento, produzem menos que os homens. Não por falta de capacidade, mas pela dificuldade de acesso a informações e produtos agrícolas.

Por Karol Assunção
"Conquistar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres na agricultura não só é justo; também é crucial para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar”. É assim que Jacques Diouf, diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, por sua sigla em inglês), encerra o prólogo da edição 2010-2011 do relatório "O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação”. O informe, que destaca a diferença de gênero na agricultura, foi lançado na última segunda-feira (7), no marco das celebrações do Dia Internacional da Mulher, em Santiago de Chile.

Com o título "As Mulheres na Agricultura: Fechar a diferença de gênero em favor do desenvolvimento”, a análise revela que as mulheres podem contribuir significativamente para a diminuição da fome no mundo caso tenham mais acesso à terra, às tecnologias, aos serviços financeiros e à educação. Isso porque ainda é evidente a desigualdade entre homens e mulheres no âmbito agrícola.

De acordo com o relatório, as mulheres, apesar de representar aproximadamente 43% da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento, produzem menos que os homens. Não por falta de capacidade, mas pela dificuldade de acesso a informações e produtos agrícolas.

Segundo o informe, em comparação com os homens, as mulheres administram propriedades menores, criam menos gado, têm menos acesso a equipamentos e produtos agrícolas, recebem menos tempo de educação, utilizam menos serviços financeiros, recebem salários mais baixos e têm uma quantidade de carga de trabalho global maior.

"As mulheres na agricultura e nas áreas rurais têm um menor acesso aos recursos produtivos e menos oportunidades que os homens. A diferença de gênero abarca muitos ativos, insumos e serviços e supõem um custo para o setor agrícola, para a economia em geral e para a sociedade, assim como para as próprias mulheres”, destaca FAO em folha de informação do relatório.

A partir desse quadro, o informe aponta que o fim da diferença de gênero pode, sim, contribuir para a diminuição da fome no mundo. De acordo com ele, se as mulheres tivessem o mesmo acesso aos recursos agrícolas que os homens, o rendimento delas aumentaria entre 20% e 30%, o que significaria um crescimento de 2,5% a 4% na produção agrícola total dos países em desenvolvimento.

"Um aumento da produção deste calibre permitiria reduzir o número de pessoas famintas no mundo entre 12% e 17%”, estima. Os benefícios de aumentar a produção agrícola das mulheres não se resumem à diminuição da fome, mas também ao crescimento econômico e humano, já que, segundo o estudo, elas investem mais em alimentação, saúde, vestuário e educação para os filhos.

Assim, o relatório considera importante a promoção de políticas e ações que diminuam a diferença de gênero no âmbito agrícola, como: a eliminação da discriminação da mulher aos recursos agrícolas, à educação, ao trabalho e aos créditos e serviços financeiros; o investimento em tecnologias e infraestruturas que melhorem a produção das mulheres; e o aumento da participação feminina nos mercados de trabalho rurais justos.


http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/03/10/relatorio_da_fao_destaca_desigualdade_de_genero_na_producao_agricola/

sexta-feira, 11 de março de 2011

Associação paraense trabalha no desenvolvimento de tecnologias sociais no campo

Coleta do Açaí - Cametá, jul.2010, Arquivo APACC

Camila Queiroz
Jornalista da Adital

A Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC) desenvolve no município de Cametá, junto à comunidade, duas tecnologias sociais certificadas pela Fundação Banco do Brasil. A associação, que trabalha em várias linhas, prioriza a agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável, com enfoque na agroecologia, entendida não apenas como um modo de produção, mas uma forma de organizar a comunidade. As atividades em Cametá, na região do Baixo Tocantins, são desenvolvidas desde o ano 2000, com o apoio da União Europeia.
A tecnologia Redes Locais Tecendo Saberes Agroecológicos visa à formação dos agricultores e agroextrativistas e a valorização de seus saberes, através da experimentação e produção, planejamento, multiplicação e uso sustentável dos recursos naturais da região. As inovações desenvolvidas são repassadas a outras famílias da comunidade pela Rede de Agricultores Multiplicadores, composta por cerca de 100 multiplicadores que repassam o conhecimento a cinco mil famílias.
A associação trabalha com formação nas comunidades, a partir de um diagnóstico das fragilidades. Em Cametá, as temáticas elegidas foram o açaí, a criação de peixes em cativeiro, bem como a de abelhas, cultivo de plantas medicinais, de mandioca, produção de farinha e camarão, além de formação em saúde preventiva.
"A nossa prática é de experimentar os processos junto à comunidade, respeitando os conhecimentos tradicionais. Não queremos difundir ‘pacotes tecnológicos', mas sim uma gestão e planejamento participativos da propriedade, multiplicação e uso sustentável dos recursos naturais da região, o que deve incluir uma visão integrada de homem/mulher e meio ambiente”, detalha o coordenador executivo da APACC, Franquismar Marciel. De 2000 a 2003, 1.500 famílias participaram da formação, divididas em grupos.
Já a tecnologia ‘Aprimorando o Manejo de Açaizais Nativos' experimentou inovações para a melhora da produção, que era muito baixa. Franquismar conta que a comunidade das ilhas (ou vargens) trabalhava com o açaí nativo, mas a falta de formação gerava muitas perdas.
Hoje, 70% da comunidade faz uso das novas tecnologias, em 13.500 hectares. A experimentação começou com um hectare apenas e chegou a soluções como utilizar adubo orgânico, do próprio açaizal, fazer sombreamento adequado, não derrubar árvores nativas para replantar, dentre outras.
A comunidade ganhou em produção, o que gerou mais renda, e investiu também em diversificação das culturas, garantindo a segurança alimentar. O período de produção do açaí foi prolongado em até três meses e houve melhoria na qualidade dos frutos. Foram criadas cooperativas locais para a comercialização e a conscientização das famílias sobre o cuidado com a floresta.
Este ano, a APACC realizará, em maio, uma feira de economia solidária na cidade de Limoeiro do Ajuru e, em novembro, uma feira em Cametá, envolvendo 11 municípios, em parceria com sindicatos, prefeituras, ONGs e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), regional Norte 2.

Texto publicado no dia 02.03.11.

Para ONU, a agroecologia pode duplicar a produção de alimentos em dez anos

Os agricultores podem duplicar a produção de alimentoa para os próximos dez anos em regiões críticas usando métodos orgânicos, de acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas. O relatório, baseado em uma revisão exaustiva da literatura científica recente, defende uma transição agroecológica como meio de aumentar a produção de alimentos e melhorar a situação dos mais pobres.

Para ler mais, clique aqui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Jornada mobiliza 10 estados contra agrotóxicos

Da Página do MST

A Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina, que mobilizou 10 estados desde o começo da semana, denuncia os impactos para a saúde humana e para o ambiente do uso abusivo dos agrotóxicos e aponta a responsabilidade do modelo de produção do agronegócio.

Em todo o Brasil, as camponesas, em conjunto com outros movimentos urbanos, denunciam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, inclusive de agentes contaminantes totalmente nocivos a saúde humana, animal e vegetal que já foram proibidos em outros países.

As ações denunciam os efeitos nocivos para a saúde e meio ambiente da utilização anual de mais de um bilhão de litros de venenos, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. O Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores de agrotóxicos desde 2009.

“A produção em grande escala com venenos traz conseqüência para a vida das pessoas, seja no campo, seja na cidade. Temos necessidade de consolidar esse debate na cidade, que é um debate para a humanidade”, afirma Marisa de Fátima da Luz, assentada na região do Pontal do Paranapanema (SP), e integrante da Coordenação Nacional do MST.
Leia Mais:
http://www.mst.org.br/balanco-jornada-das-mulheres-2011

Parlamentares entregam prêmio Bertha Lutz às vencedoras de 2010

Em sessão solene na última terça-feira (1º), o Congresso Nacional comemorou o Dia Internacional da Mulher (celebrado em 8 de março) e entregou o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz 2010, do Senado, às cinco vencedoras dessa edição do prêmio. Foram diplomadas Maria Liége Santos, Chloris Casagrande, Maria José da Silva, Maria Ruth Barreto e Carmen Helena Foro.

Maria Liége participa da Federação Democrática Internacional de Mulheres. Chloris Casagrande é pedagoga, escritora e atualmente vice-presidente da Academia Paranaense de Letras. Maria José da Silva criou um projeto de coleta seletiva e educação ambiental e incentiva a criação de cooperativas de mulheres catadoras de material reciclável, no Piauí. A psicopedagoga Maria Ruth Barreto foi a primeira presa política do Ceará durante o regime militar. Carmen Helena Foro trabalha como coordenadora de movimentos sindicais.

A sessão de homenagem às mulheres foi requerida por Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que também preside o Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz. Segundo a senadora, é necessário "reverenciar as mulheres, em reconhecimento por sua fibra e coragem, por sua ternura e carinho, e pela dedicação".